Viseu Dão Lafões cria estratégia para aumentar procura turística

Por Revista Invest | 13 de novembro, 2014
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    José Morgado, presidente da CIM Viseu Dão Lafões (Foto DR)
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    Vista a partir de Mogueirães, no sopé da Serra do Caramulo (Foto João Cosme cedida por CIMVDL)
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    Ponte de caminho-de-ferro, em Vouzela (Foto João Cosme cedida por CIMVDL)
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    Rio Teixeira, em S.Pedro do Sul (Foto João Cosme cedida por CIMVDL)
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    Marca turística Viseu Dão Lafões (vista parcial)
Aumentar a procura, atrair investimento e elevar a permanência dos turistas na região. José Morgado, presidente da Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões explica à INVEST a nova estratégia.

A Comunidade Intermunicipal (CIM) Viseu Dão Lafões vai lançar uma nova estratégia de comunicação no mercado ibérico para atrair turistas e investidores. Nesta entrevista à INVEST, realizada por escrito, José Morgado, presidente daquela entidade, explica o que vai ser feito para atingir os objetivos, que passam por aumentar os índices de procura e ampliar a estadia dos visitantes, bem como atrair investimento, entre outros.

 

 

Quais são as ações, em concreto, definidas para 2014 e 2015, no âmbito da estratégia de comunicação?

 

Em primeiro lugar deixe-me dizer que esta estratégia de comunicação está articulada estratégica e operacionalmente com o Turismo Centro de Portugal (TCP).

 

Na minha opinião, o plano comunicação é uma estratégia que permite que todos os esforços de comunicação sejam coerentes, integrados e contínuos, acreditando que só assim se pode construir uma imagem de marca, um dos fatores decisivos para promover e reforçar a visibilidade da marca turística Viseu Dão Lafões.

 

A estratégia de comunicação será, em suma, o instrumento que permite transformar as orientações do planeamento de marketing territorial em ações de comunicação que se pretendem que resultem em impactos positivos para o território.

 

Assim, no âmbito desta estratégia, recentemente apresentada, serão organizadas diversas ações nas cidades de Lisboa, Porto, Vigo e Salamanca, campanhas promocionais e publicitárias, elaboração de suportes de comunicação, ou seja, roteiros de experiências e produção de alguns materiais de merchandising. Está também prevista uma campanha de outdoors nas diferentes cidades.

 

Em Portugal e Espanha serão promovidos eventos de dois dias, com o objetivo de dar visibilidade ao território, junto da população em geral, bem como junto dos operadores turísticos dessas regiões, incluindo-se, nestas ações, campanhas de rua e apresentações de produtos turísticos, showcooking e produtos regionais, de entre as quais destacamos, naturalmente, o vinho do Dão.

 

 

Qual é o orçamento previsional e como vai ser distribuído?

 

O mercado português e´ a grande âncora do turismo nacional e deve ser considerado como garantia de uma base estável de ocupação e geração de receitas. É, segundo o TCP, um mercado de consolidação, que necessita ser revitalizado para garantir e se manter a quota de mercado.

 

Neste sentido, e tendo por base esta informação a nossa estratégia visa apostar em dois segmentos alvo: em primeiro lugar no mercado nacional, através de um reforço de visibilidade da marca, nomeadamente através de ações de rua de forma a dar a conhecer o potencial turístico da região, assim como a qualidade e variedade da oferta instalada no território, ações essas que ocorrem nas cidades de Lisboa e do Porto. O outro segmento será o mercado espanhol, mais concretamente o chamado mercado interno alargado, pois é este o nosso principal mercado, em termos internacionais.

 

Neste sentido, reforçamos a nossa presença nomeadamente nas cidades de Vigo e de Salamanca, em que aplicaremos uma estratégia, em tudo semelhante, às que irão ser desenvolvidas para as cidades de Lisboa e do Porto.

 

Mas repare, se nos queremos promover e “vender” o nosso território, temos que garantir que os ditos “vendedores” o conheçam, e saibam que os seus clientes efetivamente poderão usufruir e vivenciar as experiências publicitadas.

 

Neste âmbito, vamos realizar uma ação de dois dias destinada, exclusivamente a operadores turísticos, isto é, iremos realizar um educacional com o objetivo de permitir que eles vivenciem as experiências que estamos a divulgar e que pretendemos que vendam.

 

Vamos também usar plataformas online, dada a sua importância na difusão de informação, como é o caso do facebook, youtube, entre outros, também em articulação com o TCP.

 

Estima-se um orçamento global de aproximadamente 200 mil euros para o desenvolvimento de todas estas atividades e que encontra financiamento no âmbito do programa MaisCentro.

 

COMBINAR RECURSOS

 

 

Qual é a mensagem que se pretende passar com a nova imagem? Será para usar onde?

 

A marca Viseu Dão Lafões irá demonstrar que esta região, com a sua singularidade territorial, tem uma oferta turística estruturada, com base nos seus recursos e ofertas distintivas, com o intuito de ver prolongada as estadias de dois para três dias. Nós pretendemos atrair mais visitantes nacionais e estrangeiros mas, antes disso, é preciso promover uma campanha de amplitude nacional e além-fronteiras para dar mais visibilidade ao território. Temos o potencial, temos o produto, temos a marca.

 

 

Entre os objetivos do plano está “a capacitação da região turística Viseu Dão Lafões com recursos humanos e infraestruturas adequadas e a diferenciação pela inovação orientada para a experiência do turista, através da criação de uma dinâmica de criação de novos produtos estruturados”. Que tipo de produtos vão ser privilegiados para atingir estes objetivos?

 

A CIM Viseu Dão Lafões está a estruturar o produto turístico “Ecopista do Dão”, isto é, organizar a oferta à volta daquela estrutura. O turismo Natureza está a crescer a dois dígitos por ano e temos a consciência que temos uma infraestrutura que vale muito no território mas que poderá valer muito mais se a soubermos combinar com outros recursos turísticos (combinar a ecopista com o termalismo, com o enoturismo, com o património, gastronomia, percursos pedrestes, etc.) de forma a apresentar vários pacotes de opções, que incluam prolongamento da estadia, para diferentes segmentos de mercado, como já referi. A título de exemplo, podemos dizer que estamos a cruzar este projeto com o das Rotas do Vinho do Dão, por exemplo, promovida pela CVRDão. Mais uma vez estamos a trabalhar com todos os “players” do sector, privados e públicos, incluindo obviamente os municípios. 

 

 

Quais os setores de atividade que operam no turismo que mais necessidade fazem à região (hotelaria, restauração ou outros)?

 

O desafio é potenciar a criação de uma cultura de marca turística alicerçada no território Viseu Dão Lafões junto dos diversos operadores turísticos. É importante que esses operadores conheçam o território e percebam o que ele tem para oferecer, que experiências permite vivenciar, que público pode servir, e o valorizarem para poder ser comercializado.

 

Efetivamente a região tem uma ótima oferta hoteleira e de restauração com unidades que oferecem excelentes condições de alojamento bem como restaurantes de qualidade e com uma oferta variada. Todavia, ainda estamos algo deficitários em operadores turísticos em áreas como o turismo ativo e de natureza, apesar de nos últimos tempos terem aparecido um conjunto de empresas a operar na área.

 

Penso que seria importante apoiar a criação de programas especiais de cooperação para a promoção de produtos de qualidade em Viseu Dão Lafões, de modo a potenciar o negócio de todas as partes envolvidas, a título de exemplo destaco os programas de turismo de negócio com parte de lazer.

 

OS PILARES NATUREZA E SAÚDE

 

 

Na sua ótica, qual a mais-valia e que fatores diferenciadores existem na CIM Viseu Dão Lafões para atrair turistas?

 

Permita-me que volte a referir a importância que atribuímos à articulação da nossa estratégia com o TCP, adotando as orientações do seu Plano de Marketing para a Região Centro. Iremos focar a nossa comunicação na divulgação da oferta dos produtos turísticos relacionados com Turismo de Natureza, o Turismo de Saúde, pois a nossa região concentra o maior número de estâncias termais numa única Comunidade Intermunicipal, circuitos culturais e religiosos, gastronomia e vinhos, turismo de natureza, golfe e turismo de negócios.

 

Não posso deixar de destacar os eventos que se realizam no território, como é o caso do emblemático Caramulo Motorfestival, a Feira do Vinho do Dão, o Festival Altitudes, a Feira de São Mateus, a mais antiga feira franca do país, eventos esses, que contam com um grande número de visitantes. Deixe-me referir, ainda, a promoção da cultura no território Viseu Dão Lafões, onde destaco o espetáculo teatro-musical de rua “A Viagem do Elefante” que marcou inovadoramente o panorama teatral nacional ao longo da digressão, o festival “Viseu A...”, é outro bom exemplo das iniciativas direcionado para a promoção da criação e da fruição artística no nosso território, estas iniciativas tiveram o apoio da CIM Viseu Dão Lafões.

 

Para os amantes do cicloturismo, oferecemos a tão conhecida Ecopista do Dão que recentemente recebeu um prémio de excelência pela Associação Europeia das Vias Verdes.

 

 

Relativamente à captação de investidores, outros dos objetivos desta estratégia, o que está a ser feito para criar esse interesse (incentivos, apoios, etc.)?

 

O turismo na região Centro tem crescido bastante, o que se perspetiva como uma boa aposta para o futuro.

 

O turismo em espaço rural, muito caraterístico da região, em virtude da aposta de entidades públicas mas, maioritariamente, de privados, que arriscaram reabilitar património e transformá-lo em hotéis rurais e casas de turismo de aldeia, são exemplos de como o turismo está aliado ao investimento.

 

É neste sentido e com esta visão que está a ser implementada esta estratégia comunicação e promoção do território.

 

Nós não estamos “só” a procurar captar turísticas. Estamos simultaneamente a criar condições mais favoráveis aos investidores instalados no território, bem como a potenciar o aparecimento de novos empreendedores. Os empresários desta área atuais e futuros, sentir-se-ão mais confortáveis nos investimentos que poderão fazer ao constatarem que se encontra um projeto de promoção da região consistentes, estruturado, alinhado com a oferta existente no território e em sintonia com a visão e estratégia de promoção do TCP.

 

 

Os municípios integrantes da CIM estão devidamente articulados e orientados para a necessidade de captação destes investimentos? De que forma?

 

A CIM Viseu Dão Lafões tem vindo a trabalhar em estreita articulação com o TCP, com os municípios seus associados, as empresas de hotelaria e da restauração, com as Associações de Desenvolvimento Local, com a CVR Dão e os produtores seus associados, empresários e demais organismos públicos regionais com relevância para o setor.

 

Todos os atores estiveram envolvidos na estruturação da estratégia de promoção da marca Viseu Dão Lafões. Aliás, considero eu e considera todo o Conselho Intermunicipal que só assim é possível criar e desenvolver um trabalho desta natureza.

 

Só todos em conjunto e a uma só voz poderemos alavancar e desenvolver o potencial turístico de Viseu Dão Lafões.

 

 

J.P.L.

 

 

 

14 municípios

 

Integrada na Região Centro, a Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões abrange uma área de 3.483 Km2, onde residem cerca de 290 mil pessoas, distribuídos por 14 concelhos. São eles Aguiar da Beira, Carregal do Sal, Castro Daire, Mangualde, Nelas, Oliveira de Frades, Penalva do Castelo, S.Pedro do Sul, Santa Comba Dão, Sátão, Tondela, Vila Nova de Paiva, Viseu e Vouzela. 

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