“O Paris-Asia pode levar as empresas portuguesas ao mundo”

Por Revista Invest | 4 de novembro, 2014
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    Carlos de Matos: “Queremos ter empresas dos cinco continentes” (Montagem foto de Paulo Cunha / Invest)
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    “Estimulamos a internacionalização”, considera Carlos de Matos (Foto Paulo Cunha / Revista Invest)
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    “O espaço potenciará negócios entre lojistas” (Foto Paulo Cunha / Revista Invest)
Está a construir uma plataforma comercial de Paris para o mundo. Chama-se Carlos de Matos, é líder do grupo Saint Germain e está a investir 200 milhões de euros no Paris-Asia, investimento que pode chegar aos 800 milhões de euros.

Quer ter empresas dos cinco continentes na plataforma comercial que está a construir às portas de Paris, um investimento inicial de 200 milhões de euros e que pode chegar aos 800 milhões. Carlos de Matos diz que está a construir uma montra comercial para o mundo, em Paris, de atividades ligadas à casa e às pessoas.

 

A ideia, essa, surgiu quando empresários chineses o procuraram para comprarem espaços. Carlos de Matos, construtor, líder do grupo Saint Germain, pensou logo num grande espaço, uma plataforma comercial para o mundo, bem no centro da Europa. O projeto, que está ser erguido a dois passos do aeroporto Charles de Gaulle, que recebe anualmente 65 milhões de passageiros, terá cerca de 300 mil metros quadrados de lojas, hotéis, restaurantes e outras infraestruturas de apoio.

 

“Surgiu a ideia de congregar num espaço único e apetrechado logística e tecnologicamente com uma oferta global e inovadora, proporcionando ao vendedor e ao comprador o que de melhor se faz em todo o mundo”, disse à Revista Invest Carlos de Matos, esclarecendo que vai centrar “os investidores no coração da Europa e projetá-los para o mundo”.

 

Nesta oportunidade, o empresário diz que gostaria de ter empresas portuguesas e, para isso, está a fazer um esforço comercial no território nacional. “Os espaços podem ser adquiridos por uma empresa ou por várias, podendo inclusivamente ser partilhados por empresas com atividades complementares”, disse, exemplificando com os setores do têxtil e artigos diversos para a casa. O Paris-Asia, que acaba por ser uma grande “montra de negócios, pode levar as empresas portuguesas ao mundo”, reforçou.

 

Carlos de Matos manifesta a intenção do espaço ser uma grande “montra como também quer um espaço que potencie novos negócios entre os 1.200 lojistas presentes e um espaço onde a empresa investidora possa criar inovação e criar novos negócios na ótica da diversificação”, esclareceu.

 

As obras começaram em maio passado e esta “primeira fase compreende 388 lojas destinadas ao lar e à pessoa” que estarão abertas seis dias por semana e deverão entrar em funcionamento “no início de 2016”, adiantou. “Nesta fase, estarão presentes todas as atividades ligadas à casa e às pessoas, como sejam o calçado, o vestuário, marroquinaria e acessórios em pele, joias, têxtil e lar, mobiliário e seus complementos, acessórios para casas de banho e cozinha, tapetes, candeeiros, sofás, entre outros”.

 

Espaços podem ser partilhados

 

“É um projeto que na totalidade das cinco fases irá decorrer em cerca de oito a dez anos, totalizando 350 mil metros quadrados (m2) de construção”. A 2ª fase, as obras decorrerão entre 2016 e 2018 com a construção de mais 600 lojas, adiantou, esclarecendo que “as restantes fases comtemplam a construção de mais 300 lojas, hotéis, clínicas dentária e de estética, restauração e creches entre outras infraestruturas de apoio”.

 

Para esta primeira fase, atualmente em comercialização, “o preço promocional é de 1.950 euros por m2, ou seja 393.900 euros para uma área de 202 m2”, disse Carlos de Matos, esclarecendo que o “investimento pode ser pago pelo comprador até 12 anos”. Quem não pretender comprar pode, em alternativa, “instalar-se através de contrato de arrendamento a investidores que irão adquirir lojas para rendimento”, acrescentou.

 

Atualmente estão reservados mais de 200 espaços desta 1ª fase, disse o empresário, adiantando que “todos os projetos são enquadrados por um gabinete de arquitetos sendo que os acabamentos são de responsabilidade de quem investe, personalizando o seu espaço e criando ambientes competitivos”.

 

Previsão de vendas

 

Quanto às vantagens para as empresas, além da centralidade no espaço europeu, Carlos de Matos enaltece o facto de poderem ter um showroom permanente, o acesso a uma logística internacional que facilita as trocas comerciais, a abertura de novos canais de comercialização e, entre outros, o potencial de vendas. Temos uma “previsão média de dez compradores profissionais por dia por loja ou seja cerca de 3.500 por dia, só nesta 1ª fase, porque no final do empreendimento com as 1.200 lojas em funcionamento serão cerca de 12.000 visitantes por dia”, prevê.

 

Quanto à denominação do investimento, Paris-Ásia, esta não significa que será dada especial atenção ao continente asiático. “Apenas são termos que pretendem evocar uma dinâmica comercial entre uma centralidade europeia e o extremo oriente, potenciando as trocas comerciais, estimulando a internacionalização e a interdependência económica”, justifica Carlos de Matos, que complementa: “Procura igualmente conferir uma imagem globalizante na tentativa de diminuir as distâncias”.

 

E sublinha: “O objetivo é ter empresas dos cincos continentes, representando os mais diversos sectores incluindo o das novas tecnologias, inovação e serviços”.

 

 

João Paulo Leonardo

 

 

Aliança Grupo Saint-Germain e Alves Ribeiro

 

O Grupo Saint-Germain, que lidera o projeto desde a ideia até à sua aprovação, detêm 70% do investimento da 1ª fase, sendo os restantes 30% detidos pela portuguesa Alves Ribeiro Investimentos Financeiros, com sede em Lisboa. O valor estimado para o investimento desta 1ª fase será aproximadamente de 200 milhões de euros e a totalidade de todo o empreendimento de 800 milhões de euros.

 

Na totalidade, segundo Carlos de Matos, “o investimento contempla diversas modalidades”, contando, “em primeiro lugar, com utilização de capitais próprios”.

 

Numa segunda fase o empresário admite que seja “necessário recorrer ao financiamento de entidades bancárias nacionais ou internacionais”, ainda que estejam a ser “estudadas outras modalidades de apoio no âmbito do quadro comunitário Portugal 2020, caso existam enquadramentos legais”.

 

 

No vidro a partir dos 12 anos

 

Começou cedo, aos 12 anos. A avó pediu emprego e Carlos de Matos começou a trabalhar na cristalaria, na Dâmaso, em Vieira de Leiria. Ia de bicicleta, recorda, de Carvide, onde nasceu e residiu, até à fábrica, na freguesia vizinha.

 

Custava-lhe, admite, fazer o turno das oito da noite às 4 da manhã, por ter de fazer o caminho sozinho e todo durante a noite. Por ali ficou durante seis anos, a trabalhar por turnos.

 

Aos 18 anos, resolveu apostar na emigração, para França, de novo para uma profissão dura, como eletricista da construção civil. Ao fim de três anos e meio, contudo, teve de regressar ao país para fazer a tropa, tendo sido destacado para Tete, uma região central de Moçambique.

 

De regresso a Portugal, ainda tentou a sorte com o motorista de táxi. Não gostou, como nos confidenciou. Voltou para França, onde voltou a entrar na construção civil e onde se tem mantido, subindo a pulso até à liderança do Grupo Saint-Germain.

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