Estudo: licenciados com estágios curriculares encontram emprego mais facilmente

Por Revista Invest | 8 de maio, 2015
  • Atualidade
    Gonçalo Paiva Dias, coordenador da equipa do projeto (DR)
Os estágios curriculares contribuem para uma maior empregabilidade dos recém licenciados, bem como para a redução das taxas de desemprego, de acordo com um estudo desenvolvido pela Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Águeda (ESTGA).

A existência de estágios curriculares nas licenciaturas disponíveis em Portugal tende a reduzir as taxas de desemprego dos licenciados em cerca de 15%. Quando aplicado ao ensino superior politécnico, o modelo de análise desenvolvido sugere que a redução da taxa de desemprego tende a ser de 27%. Esta é a principal conclusão do estudo da ESTGA, o primeiro realizado no país sobre o impacto da existência de estágios curriculares na empregabilidade dos licenciados.

 

A investigação daquela escola politécnica da Universidade de Aveiro aponta ainda que, nos cursos politécnicos, o facto de os estágios serem obrigatórios tende a reduzir em 28% a taxa de desemprego dos alunos formados. Os resultados do estudo sugerem, ainda, que a redução da taxa de desemprego é maior (37%) quando os estágios são faseados, por comparação com o modelo de estágios únicos e tendencialmente no final da licenciatura (15%).

 

“O estudo mostra que os estágios contribuem efetivamente para a empregabilidade dos licenciados, principalmente se forem estágios faseados ao longo do curso”, aponta Gonçalo Paiva Dias, coordenador da equipa do projeto.

 

A investigação da ESTGA, a primeira em Portugal a avaliar as vantagens da existência de estágios curriculares no ensino superior nacional na hora de aceder ao mercado de trabalho, analisou todos os cursos de licenciatura existentes no país com dados de desemprego registados no IEFP em junho de 2013, no total de 1.158 licenciaturas (das 1621 existentes), tanto públicas como privadas. Destas, aponta Gonçalo Paiva Dias, “48% incluem algum tipo de estágio nos respetivos planos curriculares”.

 

Uma percentagem que “é bastante mais significativa no ensino superior politécnico, em que 65% das licenciaturas incluem estágio, do que no ensino superior universitário, em que apenas 28% os incluem”. Essa percentagem, sublinha o investigador, “é também maior no ensino superior privado, com 56% das licenciaturas a incluírem estágio”. No ensino superior público apenas 44% das licenciaturas os integram.

 

O estudo agora divulgado lembra que em Portugal, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística, a taxa de desemprego entre os jovens, no primeiro trimestre de 2013, foi de 42,1%. “Embora esta taxa seja inferior entre os licenciados é, no entanto, preocupante, uma vez que tem vindo a aumentar concomitantemente com a visibilidade social do desemprego neste grupo de jovens”, alerta o investigador.

 

Neste contexto, o projeto conduzido na ESTGA, designado “Impacto dos estágios curriculares na empregabilidade dos licenciados“, pretende assumir-se como um contributo para a consolidação e desenvolvimento de políticas públicas para o ensino superior, demonstrando, em paralelo, a  relevância dos estágios para a empregabilidade dos jovens diplomados.

 

 

Repensar o ensino Universitário e Politécnico

 

A investigação da ESTGA alerta que “a introdução de estágios curriculares no primeiro ciclo do ensino superior contribui, em todo o sistema, mas com especial incidência no subsistema politécnico, para a empregabilidade dos licenciados”. Tem, além disso, “contributos positivos ao nível das competências desenvolvidas pelos estudantes e ao nível da aproximação das instituições ao tecido económico e social”. Por isso, a primeira e principal recomendação que emana do estudo é que as Instituições de Ensino Superior (IES) “devem fomentar a inclusão de estágios curriculares nos planos de estudo das suas licenciaturas, com especial pertinência no ensino superior politécnico”.

 

Perante os dados alcançados, a ESTGA deixa também a recomendação de que “as IES devem privilegiar os estágios obrigatórios e faseados ao longo do curso, como forma de potenciar o seu impacto”. Mais, “a decisão sobre os formatos a adotar [nos estágios] deve ser baseada em reflexões sustentadas em princípios pedagógicos e na avaliação dos outputs e outcomes dos estágios, não devendo ser unicamente influenciada por constrangimentos logísticos como ser facultativo, porque não há dinheiro ou ser único, porque menos trabalhoso”.

 

Este estudo “produz informação nova que pode ser útil do ponto de vista da discussão atualmente em curso em Portugal sobre o sistema binário de ensino superior”. Com efeito, aponta Gonçalo Paiva Dias, “num contexto em que se discute a importância da diferenciação de missões entre os subsistemas universitário e politécnico, o facto de a introdução de estágios ser especialmente pertinente para a empregabilidade dos licenciados do ensino superior politécnico pode ser importante para a reflexão em curso, contribuindo para colocar em prática os diferentes papéis normativos de universidades e politécnicos em Portugal”.

 

A investigação da ESTGA, que para além de Gonçalo Paiva Dias integrou os docentes Ana Melo, Dina Seabra, Elisabeth Brito e Marco Costa e as bolseiras Betina Lopes, Patrícia Silva e Cláudia Gomes, foi financiado pelo Programa Operacional de Assistência Técnica (POAT) do Fundo Social Europeu (FSE), no âmbito do Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN). Pode aceder ao estudo, na íntegra, nesta página.

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