BICMINHO: “Manutenção do apoio é determinante para o sucesso das start-ups”

Por Revista Invest | 2 de abril, 2015
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    No país, contando com o BICMINHO, existem mais nove estruturas (DR)
O apoio à criação e sobretudo ao desenvolvimento do negócio de uma nova empresa é determinante para o seu sucesso, considera Nuno Gomes, administrador executivo do BICMINHO, que explica conceitos, métodos e os objetivos de curto e médio prazo.

 

Nos últimos quatro anos, o BICMINHO - Centro Europeu de Empresas e Inovação apoiou a criação de 42 novas empresas, que registaram uma taxa de sobrevivência de 93%, valor acima da média nacional que se situa abaixo dos 50%. Nesta entrevista à Revista INVEST, realizada por escrito, o seu administrador executivo Nuno Gomes explica qual a metodologia que tem contribuído para alcançar estes resultados.

 

 

 

Qual o balanço dos últimos quatro anos da atividade do BICMINHO, os quais, como é sabido, vividos numa conjuntura pouco favorável à criação de novas empresas?

 

É extremamente positivo. Os resultados ultrapassaram claramente as nossas expectativas mais otimistas. Nos últimos quatro anos apoiamos a criação de 42 novas empresas, com uma taxa de sobrevivência de 93%, claramente acima da média nacional que se situa abaixo dos 50%. Estas empresas foram responsáveis pela criação de mais de 80 novos empregos e estima-se que tenham ultrapassado os 4 milhões de euros de volume de negócios no ano de 2014. O que explica estes resultados? Bem, de forma muito resumida, podemos afirmar que estes resultados se devem sobretudo à aplicação prática das metodologias BIC definidas pela União Europeia, ao profissionalismo e dedicação dos nossos profissionais e à qualidade dos empreendedores que se dirigem a nós.

 

 

Quais são as principais valências de intervenção do BIC Minho?

 

Promover o empreendedorismo e a inovação, ajudar a criar novas empresas inovadoras, e apoiar as PME a modernizar e internacionalizar.

 

No entanto, a área mais nobre e importante dos EU-BIC é o empreendedorismo e a criação de empresas. No BICMINHO somos muito rigorosos na seleção dos novos projetos empresariais onde, para além da análise da ideia de negócio inovadora, focamo-nos muito na análise do perfil empreendedor e do espírito empresarial dos promotores. Mas, é a orientação, apoio e acompanhamento técnico especializado e permanente das nossas equipas técnicas internas aos promotores, em todas as fases do processo de criação de empresa que, de facto, nos diferencia e nos permite atingir uma elevada taxa de sucesso.

 

Não criamos empresas para fazer número. Não nos limitamos a apoiar os promotores na avaliação preliminar da ideia, na realização do plano de negócios, na obtenção de financiamento, na legalização da empresa, incubação, etc... Apoiamos as novas empresas sobretudo no período pós-criação, pois é nesse momento que os problemas aparecem e as coisas começam a complicar. É nesse momento que de facto os promotores precisam de mais ajuda, e nós temos a obrigação de estar lá junto deles, porque fomos nós que os incentivamos a criar um negócio próprio.

 

 

APOIO SUSTENTÁVEL

 

Existe um acompanhamento do próprio negócio?

 

Sim, já depois de criada a empresa, ajudamos também os promotores na gestão e no controlo de gestão do seu negócio, e promovemos o aumento das suas vendas, nomeadamente através da dinamização de contactos comerciais ou através da subcontratação de serviços por parte do próprio BICMINHO. Como costumamos dizer, os negócios acompanhados por nós têm sempre os nossos profissionais “à perna”, para controlar a atividade comercial, a faturação, ordenados, as cobranças, bancos, tudo. É este apoio que faz com que o empreendedor seja organizado e a monitorização do seu negócio seja eficaz. Consequentemente, as start-ups criadas com a ajuda do BICMINHO têm-se mostrado mais viáveis, bem-sucedidas e sustentáveis.

 

 

Quais são as principais estruturas do BICMINHO?

 

Temos dois centros de incubação, em Braga e em Viana do Castelo, a partir dos quais desenvolvemos grande parte da nossa atividade, sobretudo na área do empreendedorismo e da criação de empresas. Mas atuamos em toda a região do Minho, e começamos já em 2012 a trabalhar noutras regiões, na sequência de algumas solicitações que nos vão fazendo por todo o território nacional, no sentido de colocarmos o nosso know how especializado e experiência acumulada ao serviço do desenvolvimento de outras regiões do país.

 

 

O empreendedorismo de base rural é uma das apostas fortes do BICMINHO. O que tem sido feito neste aspeto e que vantagens oferece a este tipo de empreendedores?

 

O empreendedorismo de base rural tem sido uma das nossas apostas fortes nos últimos anos, sobretudo por duas razões, ambas relacionadas com o nosso serviço público inerente à certificação BIC da União Europeia. Por um lado, como uma forma de fazer chegar o nosso apoio técnico especializado a locais onde estão instalados muitos e bons empreendedores com maior dificuldade de acesso a este tipo de apoios. Por outro lado, porque acreditamos que o desenvolvimento da região do Minho passa necessariamente por novos projetos empresariais de base rural e pela inovação rural, tirando partido dos recursos endógenos da região, em sectores chave como o turismo, o agroalimentar, os produtos tradicionais, ambiente, natureza e paisagem, e a cultura e património.

 

 

E o que tem sido feito?

 

Em parceria com as principais estruturas de apoio ao empreendedorismo e inovação da região do Minho, lançámos em 2012 um projeto integrado de apoio ao empreendedorismo e à inovação rural, o Minho Empreende, financiado pelo ON2 – O novo Norte, que ajudou criar 30 novas empresas, responsáveis pela criação de mais de 50 postos de trabalho, e apoiou 40 PME de base rural nos seus processos de modernização e internacionalização. Este projeto ofereceu aos empreendedores de base rural um conjunto de vantagens, nomeadamente sessões de capacitação, concursos de ideias de negócio, planos de negócio, incubação, apoio ao financiamento, entre outras.

 

Atualmente, estamos a realizar uma campanha intensa para ajudar os empreendedores e empresas de base rural a preparar os seus planos de investimento e candidaturas ao programa PDR 2020, fazendo uma aposta forte no apoio à primeira instalação dos jovens agricultores até aos 40 anos, inclusive, cujos incentivos a fundo perdido podem ultrapassar os 95% do total do investimento inicial dos novos projetos agrícolas, e as candidaturas terminam a 30 de abril. Estamos já a trabalhar com vários promotores, com alguns projetos muito inovadores, e as perspetivas são muito animadoras.

 

 

INTERNACIONALIZAR? COMO?

 

Apesar desta aposta, e com base no vosso site, nenhuma das empresas incubadas está diretamente ligada ao empreendedorismo de base rural. Qual a razão? Não tem havido projetos de qualidade de empreendedorismo de base rural?

 

A razão é simples: as empresas de base rural normalmente precisam de um terreno ou de um espaço próprio para desenvolverem a sua atividade, logo, instalar-se numa incubadora é desajustado para este tipo de empresas, a menos que seja uma incubadora de empresas de base rural, com características muito específicas e desenvolvida de raiz para instalar este tipo de projetos. Mas mesmo aí, tenho algumas reservas.

 

No entanto, o apoio do BICMINHO na área do empreendedorismo e criação de empresas, conforme já referi, não se concentra só na incubação de empresas, é muito mais amplo e completo. A incubação é apenas um dos apoios que disponibilizamos aos empreendedores. E os nossos resultados confirmam-no. Desde 2001 já criamos 189 novas empresas, das quais apenas 88, ou seja, 46,5%, estiveram incubadas nos nossos centros de incubação. E isto acontece porque para o BICMINHO, ao contrário do que normalmente vamos ouvindo, o que é determinante para o sucesso de uma start-up não é o financiamento inicial, e muito menos será o espaço. O que realmente faz a diferença é o apoio, orientação e acompanhamento técnico especializado e profissional da nossa equipa, antes, durante e depois de criada a nova empresa.

 

 

O apoio à modernização e à internacionalização das PME é também um desígnio do BIC Minho, de acordo com a sua recente entrevista a um jornal local (O Vilaverdense). Que tipo de apoios podem facultar às empresas a este nível?

 

Em complemento ao apoio à criação de empresas, temos promovido o desenvolvimento regional e o aumento da competitividade da nossa região através do apoio à modernização e à internacionalização das PME existentes. Nesta área trabalhamos como um “Centro de Competências” por excelência, com forte know-how nas diversas áreas da gestão empresarial. Apontamos soluções e apoiamos as PME no tratamento dos aspetos críticos da gestão estratégica e operacional, da economia e finanças, do marketing, da transferência de tecnologia, da formação e gestão de pessoas, da cooperação empresarial e da internacionalização, em particular ao nível da promoção das exportações.

 

Assim, atuamos junto das PME da região, desenvolvendo intervenções integradas, à medida das suas necessidades específicas, sempre em conjunto com os seus responsáveis, nunca os afastando do processo.

 

 

Que tipo de modelo é preconizado pelo BIC Minho para a internacionalização de PME, quando naturalmente é necessário escala para ingressar neste tipo de processos?

 

A questão da escala é importante, mas depende de empresa para empresa. Por isso, desenvolvemos modelos de internacionalização individualizados, adaptados às características e necessidades específicas de cada empresa, dos seus produtos e dos seus mercados externos alvo a abordar. No centro destes modelos está sempre um conceito que é o denominador comum para todas as empresas com quem trabalhamos: reduzir custos e aumentar as vendas, neste caso por via das exportações.

 

Não pretendemos fazer trabalhos avulsos de apoio à internacionalização. Até porque isso não funciona, não tem resultados... Face à nossa génese de serviço público, temos a obrigação de ser um parceiro de confiança de longo prazo das empresas nossas parceiras. Ao limite queremos funcionar como o departamento de internacionalização de cada empresa. Ao aproveitarem as nossas competências e a experiência da nossa equipa técnica interna nesta área, torna-se possível às empresas ultrapassarem gradualmente as dificuldades inerentes à falta da escala necessária ao processo de internacionalização. Para isso muito contribui a rede mundial dos BIC que conta com a participação de mais de 200 centros espalhados por todo o mundo.

 

É por isso que, mesmo ao nível das novas empresas, hoje em dia quando analisamos a viabilidade de um novo negócio, já o fazemos à escala global, não tendo apenas em conta o mercado interno. Esta visão é um sinal evidente de perspicácia por parte dos nossos empreendedores, e tem-se mostrado determinante para o sucesso de alguns novos negócios.

 

 

APOIOS E OBJETIVOS

 

Este ano é marcado pelo arranque do novo programa-quadro Portugal 2020 e pelo “regional” Norte 2020. Estão previstas algumas ações de apoio às candidaturas dos empreendedores / empresários parceiros do BIC Minho? Quais?

 

Sim, estão previstas ações de apoio que já se encontram no terreno. Começamos desde logo com a realização, este mês, de um roadshow de workshops práticos por várias cidades da região, para explicar aos empresários, de forma simples, concreta e muito prática como se podem candidatar aos incentivos do Portugal 2020. O nosso objetivo é posicionar as empresas na linha da frente, tornando os empresários mais capazes, informados e conhecedores dos apoios e incentivos a que se podem candidatar. Mas, mais importante do que isso, explicar concretamente, caso a caso, de que forma estes incentivos podem ser uma mais-valia e contribuir para a capacidade de financiamento de cada empresa e para o aumento da sua competitividade, que lhes permita aumentar de forma sustentável as suas vendas internas a as suas exportações.

 

Para além destas ações de apoio temos feito muita divulgação destas oportunidades de candidatura através do nosso site, redes sociais e e-mailing, complementadas pela marcação de reuniões presenciais para analisar o potencial das candidaturas. Temos também prevista a realização de sessões de esclarecimento, workshops temáticos, sessões formativas e concursos de ideias, ao longo do ano, à medida que forem saindo os concursos, para incentivar e ajudar os empreendedores e empresários a fazerem as suas candidaturas.

 

Até ao final de 2016, o nosso objetivo é ter candidaturas aprovadas de empreendedores e/ou empresários nossos parceiros que representem um investimento total acumulado de mais de 10 milhões de euros e que se comprometam a criar mais de 100 novos empregos.

 

 

E quais são os objetivos para este ano?

 

Definimos como meta a criação de 15 novas empresas, que serão responsáveis pela criação de 40 novos postos de trabalho e de mais de um milhão de euros de faturação anual. Pelos resultados que registamos até aqui, prevemos que a nossa taxa de sucesso de criação de novas empresas suba para os 95%, em 2015. Na área da modernização, este ano temos como meta apoiar 50 empresas, que se estima representarem 8 milhões de euros de volume de negócios e cerca de 650 trabalhadores.

 

Temos consciência de que são objetivos muito ambiciosos. Mas só assim é que faz sentido. No BICMINHO, o nosso compromisso é intervir de forma ousada e intensiva junto dos empreendedores e empresas, apoiando-os na resposta aos diferentes desafios e investindo no desenvolvimento e competitividade da região. Por isso, não tenho dúvidas que juntos vamos construir, para a região e para Portugal, um futuro suportado na inovação, na competitividade e no sucesso empresarial.

 

 

J.P.L.

 

 

Dez estruturas no país

 

 

O BICMINHO (Oficina da Inovação – Empreendedorismo e Inovação Empresarial, S.A.) reconhecido pela Comissão Europeia como Business and Innovation Center do Minho, é uma entidade sem fins lucrativos, especializado na orientação, apoio e acompanhamento técnico à criação de empresas inovadoras e à modernização de pequenas e médias empresas.

 

Foi constituído em novembro de 2000 e arrancou no ano seguinte devido a um investimento de meio milhão de euros, participado por instituições, empresas e pessoas de referência da Região do Minho.

 

No nosso país existem dez BIC, nomeadamente no Minho, Trás-os-Montes e Alto Douro, Porto, Beira Atlântico, Beira Interior, Coimbra, Vale do Tejo, Cascais, Alentejo e Madeira, os quais estão representados na Associação do setor, que pode ser vista neste site.

 

 

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