Apologia ao crime económico – por Henrique Santos

Por Revista Invest | 2 de junho, 2015
  • Análise
    OPINIÃO por Henrique Santos (DR)
“Em Portugal já testemunhamos várias situações que são disso exemplo, e mesmo assim olhamos para o crime económico como uma fatalidade (se descoberta), mas não sabemos medir os seus custos, nem o alcance do seu resultado” (…)

O crime económico é o mais audaz dos crimes. Silencioso, matreiro, praticado por alguém de elevada consideração na sociedade.

 

O crime económico é topo de gama. Matar com pistola é do povo, matar com recurso ao crime económico é subtil.

 

Quem pratica o crime económico e não é apanhado, é-lhe reconhecida destreza, inteligência e perspicácia. No fundo é premiado.

 

A linguagem associada ao crime económico é muito peculiar e não facilmente entendível (tal como acontece com um idioma diferente do que dominados), e isso atrai. Falar de lavagem de dinheiro, corrupção, evasão fiscal, cibercrime, ética, economia paralela, crime de colarinho branco, e por aí fora é algo que nos deixa fascinados, que só pensamos existir na TV, que achamos só acontece longe de nós e que não nos afeta.

 

No entanto, e por muito que consideremos o crime económico, o resultado do mesmo é algo que nos devia aterrorizar.

 

Preocupamo-nos com as intempéries que devastam populações inteiras, mas não temos consciência de verdadeiras avalanches que todos os dias podem ocorrer por culpa direta da ação do homem (alguns, muitos infelizmente).

 

Em Portugal já testemunhamos várias situações que são disso exemplo, e mesmo assim olhamos para o crime económico como uma fatalidade (se descoberta), mas não sabemos medir os seus custos, nem o alcance do seu resultado.

 

O Observatório de Economia e Gestão de Fraude trata esta temática de forma profunda e contínua. Promovida por este Observatório, a terceira conferência sobre fraude e corrupção, que ocorre em novembro deste ano, tem especial incidência sobre, justamente, os custos do crime económico. Admito que estou curioso para ver como vai ser abordada a questão pelos diferentes participantes. Serão capazes de fazer este exercício tão básico de cálculo do custo que qualquer merceeiro realiza (com todo o mérito para este profissional), ou tão simplesmente verão o seu custo como mero resultado de uma ação?

 

Suicídio, homicídio, pobreza, prisão, arresto, descrédito, perda de liberdade, dependência, diminuição do poder de compra, pilhagem, tristeza, perda de bens, dotações orçamentais adulteradas, saúde, falsidade, aumento da emigração, apatia, diminuição da taxa de natalidade, aumento dos custos de segurança e justiça,... são parcos exemplos da ação do crime económico, são alguns (sublinho alguns) dos seus custos.

 

Se é isto que procura, então continue a ver o crime económico como algo que só acontece aos outros. Porém, se não quer ser vítima deste flagelo, veja este tipo de Crime como algo altamente contagioso e nefasto. Infelizmente o resultado da perpetração do Crime Económico tem consequências negativas enormes (mesmo não sendo detetado o seu autor), e o único penalizado não será o mesmo (quando descoberto), mas todos aqueles que, pela sua ação, irão sair contagiados.

 

Não vale a pena assobiar para o lado. Sem prever, sentirá a ação do Crime Económico na pele, e acredite, não vai ser nada agradável.

 

Pense nisto.

 

 

 

PERFIL Henrique Manuel Rocha Santos é membro do Observatório de Economia e Gestão de Fraude

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