À espera da melhor onda? – por José de Almeida

Por Revista Invest | 11 de maio, 2015
  • Análise
    OPINIÃO por José de Almeida (DR)
“A intuição deve, de vez em quando, conseguir dar a mão à razão. É que no mundo empresarial não existem nadadores-salvadores milagrosos, e a época balnear vai muito para além dos quatro meses por ano (…)

 

Todos nos lembramos seguramente de um episódio de quando éramos crianças em que literalmente uma onda nos embrulhou e parece que fomos à máquina de lavar. Lembra-se da sensação? Perdemos o norte, muita areia e até engolimos uns valentes “pirolitos”… provavelmente um verdadeiro susto!

 

As ondas pregam-nos umas belas partidas! Se não arriscamos, não desfrutamos, seja no surf, no bodyboard ou afins. Se estamos mal posicionados (como na zona da rebentação) ou mal preparados, em vez de darmos a volta à onda, é ela que nos dá a volta a nós.

 

Às vezes o mar está demasiado calmo, não dá para esperar, senão esperaríamos o tempo todo, e temos que tirar partido da ondulação que temos; outras vezes está agitado de mais e há que reconhecer que uma bandeira vermelha é para respeitar e não entrar.

 

E nos negócios, será diferente?

 

 

Sobre os ventos e as marés…

 

Estes desportos de mar mais radicais exigem disciplina, tempo e paciência. Exigem respeito pelas condições externas e perseverança na preparação da jornada. Não dependem só da vontade de serem praticados, mas de haver condições para os praticar.

 

Nas empresas, nem sempre os ventos estão a favor e nem sempre temos a melhor maré, mas sabemos que as condições perfeitas não existem nem devem voltar tão cedo. E se estivermos sempre à espera da melhor onda, provavelmente ela vai passar por nós e nós nem nos apercebemos.

 

Às vezes procuramos tanto a melhor oportunidade que quando ela nos surge não nos damos conta. E às vezes essa oportunidade está na ideia de um colega que nos pareceu absurda, em algo que lemos num livro ou vimos numa revista, ou até num projeto que possa estar em banho-maria nalguma gaveta da nossa secretária. Estaremos muito condicionados pelo presente, pelas notícias, e até pelos próprios resultados atuais que não descolam?

 

Outras vezes só não pegamos numa ideia porque não sabemos se temos mais receio de que não resulte ou se tememos pelo trabalho que ela nos vai dar para implementar e acabamos a pensar que já temos lenha suficiente com que nos queimar.

 

Já pensou nos resultados de que está a prescindir se alguma dessas ideias tivesse sucesso? Quando vê os seus concorrentes a terem resultados extraordinários, será à toa? Ou será um misto de criatividade, ação e resiliência?

 

Não tem mal não dar certo, só será seguramente mau se nunca tentar nada de novo.

 

 

E se a bandeira estiver vermelha?

 

A intuição deve, pelo menos de vez em quando, conseguir dar a mão à razão. É que no mundo empresarial não existem nadadores-salvadores milagrosos, e a época balnear vai muito para além dos quatro meses por ano! Arriscar sim, mas dentro dos limites da razão.

 

Às vezes fazem-se investimentos avultados ou dão-se passos de gigante sem a racionalidade que o negócio exige. Vemos isso sobretudo na comunidade empreendedora, em que quem está à frente do projeto tem um apego emocional tão grande porque acha-o fantástico (afinal de contas é o seu!), que se esquece que os números têm que aparecer, e acaba por se sobre endividar em demasia. E também não dá para delegar se o liderado não estiver preparado para assumir determinado projeto ou responsabilidade, por mais que queiramos que a equipa amadureça. Delegar não é abdicar ou transferir funções.

 

Se achar que o passo é maior que a perna, não decida sozinho. Rodeie-se das pessoas certas, das positivas, das que o conhecem bem e à realidade da empresa, de ex-colegas, de contactos que preze no seu grupo de networking. Escute outras opiniões, não mergulhe na onda, só porque ela lhe parece genial. Valide o seu feeling com o feeling de outros decisores.

 

 

E quanto à energia?

 

A energia da onda é fruto do seu tamanho e do seu período e indica o poder da onda. Atrevo-me a dizer que é como a paixão na nossa profissão, dá-nos a adrenalina para viver para além do presente e influenciar positivamente o médio prazo. E isso permite-nos encontrar o norte no turbilhão diário da vida das empresas, ter vontade de encetar caminhos diferentes, de ser disruptivo e chegar ao mercado com outras propostas de valor.

 

Por isso, lanço o desafio de ousarmos refletir com George Bernard Shaw – “Há pessoas que veem as coisas como elas são e que perguntam a si mesmas: ‘Porquê?’ e há pessoas que sonham as coisas como elas jamais foram e que perguntam a si mesmas: ‘Por que não?’”

 

 

 

PERFIL A experiência profissional de José de Almeida começou como vendedor, tendo mais tarde feito carreira como Diretor Comercial e Diretor Geral de diversas empresas nacionais e internacionais. É também autor de diversas publicações no âmbito comercial e de liderança comercial, incluindo os livros “Compre Já”, “A Arte de Vender” e “Arte da Guerra no Coaching”. Atualmente é o partner responsável pela Ideias & Desafios, uma empresa dedicada à formação e à realização de processos de Business & Executive Coaching.

 

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